Será
Aventura part. 07
Dava para ouvir vozes ofegantes e passos largos e pesados ao
longe, alguém abria e fechava os olhos ao ser carregado, as paredes dos
corredores estavam mais distantes e o chão parecia não ter consistência, e um
gosto de sangue percorria a boca.
Ao recobrar a consciência completamente Everton levanta-se.
- O que aconteceu? Aquela criatura foi embora? (Everton)
- Não, ela ainda está lá, e pelo jeito não parece que vai sair de
lá. (Jessie)
- O único jeito de conseguirmos sair daqui com aquele carro é
passando pela aquela criatura, mas derrotá-la é mais difícil. (Lucas)
- E se por acaso não a derrotarmos e sim enganarmos ela? (Everton)
- Mas para enganarmos ela nós iríamos precisar de algo que chamasse
a atenção dela. (Jessie)
- Algum de vocês aprendeu a dirigir? (Everton)
- Nós dois sabemos. (Jessie e Lucas em um uníssono)
- Então já estou decidido, eu vou ser a isca e um de vocês dois
irá dirigir e me pegar lá fora enquanto eu tento distraí-lo com alguma coisa.
(Everton)
-Mas isto é muito arriscado. (Lucas)
- Disso eu sei, mas aparentemente o único que teve treinamento
para esse tipo de atividade foi eu, e você dois precisam fazer logo isso, antes
que anoiteça. (Everton)
E Everton correu ao encontro da criatura. Chegando lá, a criatura
estava de pé e de frente para a entrada, o que tornara o trabalho de Everton
mais difícil. Ele resolveu não passar muito tempo parado e correu em direção da
criatura gritando coisas sem sentido – a parte de chamar a atenção eu consegui
só me falta conseguir e ele venha atrás de mim – e ele saiu correndo meio que
desesperadamente, pois não queria levar outra pancada daquela. A criatura
correndo era meio desengonçada, corria balançando-se de um lado para o outro, e
às vezes até batia em algum pilar ou na parede, mas Everton conseguiu atraí-la até
o lado de fora do hospital, do lado de fora já estava quase anoitecendo, e a
criatura parou na porta do estacionamento, Everton parou bruscamente, coçou a
cabeça e resolveu atirar na criatura. Depois de alguns tiros a criatura já
enfurecida avança pra tentar pegar Everton, que rapidamente começou a correr -
será que eles não vêm mais não? Eu já estou ficando cansado -, não demorou
muito tempo e um buzina e um ronco forte de motor estavam vindo em sua direção.
- Vamos lá soldado, pule para dentro do jipe! (Lucas)
- Falar é fácil, o difícil é fazer! (Everton)
- Depois daqui vocês podem brincar a vontade, mas agora vamos nos
concentrar neste pequeno resgate, por favor! (Jessie)
Everton tomou coragem e pulou para dentro do carro, e a criatura
foi ficando cansada e desistiu de correr atrás deles.
- Por que vocês demoraram tanto? (Everton)
- Um probleminha. (Lucas)
- Então da próxima vez deixem pra resolver esses problemas em casa
onde é seguro e ninguém está correndo perigo ta ok? Mas e então, qual a
primeira pessoa que é um mutante que vamos visitar e pedir que se junte a
causa? (Everton)
- Vamos descansar e depois veremos isso, e já está ficando de
noite, e os demônios podem estar chegando. (Jessie)
- Quando chegarmos em casa você vai me explicar o que é esse
negócio de demônio. (Everton)
E eles dirigiram sem perder muito tempo, e foram direto para casa,
chegando lá e se sentando Everton não perdeu tempo e resolveu começar a
interrogar sobre tudo que estava diferente no planeta.
- Então, chegou a hora, me fale tudo que eu preciso saber.
(Everton)
- Como eu disse a você, desde a grande guerra, a economia caiu
drasticamente e aqueles que são mutantes como você falou, tiveram que arrumar
um jeito de sobreviver, e infelizmente um deles é roubando, e até mesmo matando
se preciso, mas a questão dos demônios é que, os outros mutantes, eles ainda
têm uma cura, ou pelo menos podem escolher não fazer mal a ninguém, já os
demônios depois que a guerra acabou e que eles não tinham mais empregos,
começaram a matar para sobreviver, e pior que isso começou a dominar a mente
deles, até que eles começaram a mudar de aparência, não começaram a ficar com a
cara de um demônio que nós costumávamos assistir em filmes, eles apenas ficaram
sem emoções, e olhar para eles é como se você não olhasse para canto nenhum.
(Jessie)
- Mas não existe nenhuma cura para todo este mal? Nenhuma vacina
ou coisa do tipo? (Everton)
- Sim, mas ela é muito arriscada. (Jessie)
- E o que é? (Everton)
- Quando eu estava sendo uma cobaia de estudos das forças armadas
brasileiras, às vezes eu conseguia ver algumas experiências que eles tentavam
conter, ou criar e que acabavam dando errado, só que dessa vez eles criaram uma
mutação que ela consegue retirar a mutação de todos os humanos do mundo.
(Jessie)
- Então vamos lá e pegar essa criança e fazer com que ela cure
todo o mundo! (Everton)
- Mas tem um problema, ela cura todas as pessoas e plantas e
animais, mas as pessoas que estiverem nos pólos não atingidas. Melhor dizendo,
se alguém estiver à menos de 40 gruas negativos, esse alguém não é afetado pelo
poder desse garoto, e tem outro porem. – qual? (Everton) – Depois que os
poderes dele são utilizados, é lançado no mundo uma onde de frio que seria como
se voltássemos à era do gelo a milhões de anos atrás. (Jessie)
- Para escapar dessa era do gelo é só se abrigar em algum lugar
quente não? (Everton)
- Cara você ainda não está entendendo, essa era do gelo vai nos
matar assim que os poderes dele forem utilizados, e isso quer dizer que não
importa o quanto você corra, ou se enrole com até duzentos cobertores, você vai
virar um estátua de gelo com o resto do mundo! (Lucas)
- Mas como eles descobriram que os poderes dele congelariam o
mundo? (Everton)
- Eles criaram uma máquina que em uma curta escala demonstra o que
aconteceria com cada poder sendo manifestado. (Jessie)
- Eu passei minha vida toda estudando para servir o meu país, e se
me aparecessem oportunidades de fazer um bem maior para o planeta em que vivo
eu o faria, e se for preciso eu entrar na merda daquela base militar para
encontrar aquele garoto eu vou entrar e vou passar por cima de qualquer um que
se impor na minha frente, por que eu já perdi muitas pessoas importantes pra
ficar aqui sentado sem fazer nada. E então vocês viram comigo ou ficaram aí se
lamentando? (Everton)
Naquele momento tudo ficou em silêncio, Lucas e Jessie baixaram as
cabeças, e foi como se as palavras de Everton fizessem com que eles sentissem
uma dor imensa por não fazer parte daquele sentimento heróico. Jessie
levantou-se e saiu daquele cômodo, e Lucas permaneceu imóvel, como se não
tivesse mais forças para continuar toda aquela guerra interna, seu coração
batia cada vez mais forte, ele sentia que podia fazer o possível pra tentar
melhorar este mundo em que viviam.
Naquele momento a porta foi arrombada e entro na casa uma criatura
magra, com cabelos longos de cores cinza, com uma calça de couro preto, um,
sobretudo vermelho, e uma espada que era maior que ele, seus olhos eram como se
desse pra ver o inferno, e as pessoas gritando dentro dele.
- É um demônio, corram! (Lucas)
- Não. Eu vou ficar e enfrentar. (Everton)
O demônio entrou casa adentro, e em seus olhos o calor aumentava,
ele puxou a espada e estendeu-a em direção ao pescoço de Everton que imóvel
permaneceu olhando para o demônio.
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